Resenha - Pecadora - Nana Pauvolih

21.4.17

Editora: Essência
Páginas: 383
Ano: 2017
*Recebido em parceria com a editora
Onde Comprar: Amazon
Todos nós éramos pecadores. Somente uma coisa diferenciava um pecador: as escolhas. Saber o certo e escolher seguir pelo caminho errado em vez de fazer o que era correto. Fechei os olhos. Apesar de tudo que tinha feito naquela noite, não me arrependi. Era pecado, era perdição, mas também era mais do que eu já tinha sonhado em ter. ––– Entre a rígida criação religiosa e o desejo que sempre a consumiu, Isabel precisa se encontrar. Casada há quatro anos com Isaque, seu namorado de adolescência, a jovem sabe que a relação está longe de ser satisfatória. Mas é só quando Isaque fica amigo de Enrico, um publicitário solteiro e bem-sucedido, que a situação começa a ficar insustentável. Agnóstico, sem amarras e cheio de mulheres, Enrico é tudo o que Isabel acredita rejeitar, mas ela não consegue deixar de se sentir interessada pelas histórias que o marido conta dele. Para piorar, ela consegue um emprego na agência dele, e agora terá de passar os dias ao lado do homem que traz à tona seus sentimentos mais proibidos. Neste novo romance, Nana Pauvolih, uma das maiores autoras de romances eróticos do país, mostra que o certo nem sempre precisa ser aquilo que é imposto, e sim aquilo em que se acredita.
"Pecadora" tem como protagonista Isabel, uma jovem no início dos vinte anos de idade que vive sob a pressão de seus pais e sua religião. Filha mais nova de seu Sebastião, a protagonista desde cedo lida com o extremismo religioso do pai, que fundou sua própria igreja por acreditar que as existentes não são rígidas o suficiente.
Para se ter uma ideia, Isabel vive na Igreja, não pode ir a uma festa, usar maquiagem ou até mesmo assistir televisão. De acordo com a religião de seu pai, sexo serve apenas para o propósito de procriação e a masturbação é proibida.
"O que parecia normal para elas era estranho para mim. Usar tão pouca roupa assim, praticamente peças íntimas, na frente de estranhos. Ao mesmo tempo, aquela liberdade me encantava." (p. 77)
Quando estava no final de sua adolescência, sua irmã Rebeca foi expulsa de casa por engravidar e por não aceitar as crenças da família. Como Rebeca e Isabel, além de irmãs são confidentes, seu Sebastião e sua esposa decidem que Isabel deve casar-se o quanto antes com um dos fiéis da igreja: Isaque.
Isaque tem praticamente a mesma idade de Isabel e como ela, foi doutrinado na igreja para seguir os preceitos dela. Após quatro anos de casamento, Isabel começa a questionar toda a sua vida e principalmente, as suas crenças.
"Olhar para ele, estar em sua companhia, já não era fácil antes. Como seria agora que somente eu sabia que tínhamos nos falado mais? Que, no segredo de um confessionário virtual, eu era a Pecadora?" (p. 113)
O casamento com Isaque é morno, tanto sexualmente quanto emocionalmente. Não há troca de carinho ou palavras de apoio, apenas obrigações que uma esposa deve cumprir. Por exemplo, Isaque não contribuí em nada dentro de casa e quando Isabel perde o emprego, a acusa de levar vida de dondoca e ter tempo ocioso, sendo que tudo referente à casa, desde compras até a limpeza caí nos ombros de Isabel e o marido não reconhece seu esforço.

Conforme a sinopse explica, Isaque acaba tendo um amigo inusitado: Enrico. Enrico é a epítome de tudo o que a religião do casal abomina, mas Isaque tem esse novo conhecido como um herói. Isabel inicialmente fica contra a amizade dos dois por conta do medo de cair em tentação, mas tudo se intensifica quando ela começa a trabalhar para Enrico.
Enrico sente-se atraído por Isabel por ela ser diferente das mulheres que conhece: é desprovida das preocupações mundanas com a aparência e dá valor a integridade dos indivíduos. Apesar do interesse, ele se mantêm distante, pois recusa-se a ultrapassar a linha com uma mulher casada, ainda mais esposa de alguém que ele conhece.

Isabel por sua vez não sabe como agir diante de Enrico. Mesmo que sua razão diga a ela que deve se manter o mais longe possível do homem, seu corpo começa a despertar pela primeira vez em sua vida e ela não sabe o que fazer.

Os dois precisam aprender a lidar com a presença um do outro, ao mesmo tempo que Isabel vai crescendo como pessoa e começa a questionar tudo aquilo que aprendeu desde pequena.
"Eu soube que, a qualquer momento, precisaria de ajuda." (p. 67)

5 comentários

  1. Então, acho que essa história infelizmente não é pra mim, não curto esse tema, religião e "pecado" e pelo resumo infelizmente não fui conquistada por nenhum personagem, sendo que o marido, Isaque, é o pior, tenho certeza que ia passar muita raiva com as cenas dele. Mas deve ser legal pra quem achar o tema interessante ou tiver curiosidade sobre ele, acho que foge do convencional e por isso deve ter muitos interessados ;)

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  2. Não li ainda os livros da Nana mas sei que todos AMAM e dizem que sua escrita é maravilhosa. Pretendo não perder mais tempo e ler algo dela. Este livro especificamente parece muito bom, a premissa que além do romance em si envolve uma crítica ao extremismo que vemos muito por ai.
    Beijos

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  3. Acho interessante que o livro fale desse aspecto da religião, de como lidar com o sexo e do que se aprende desde pequeno. Dá pra perceber que a personagem tem que lidar com muita coisa nova para ela, tem que ver praticamente a vida toda de uma nova forma. O livro parece bom por ter esse jeito de conhecimento próprio, de mostrar como a religião influenciou as coisas na vida dela e tal. Acho que iria gostar se lesse.

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  4. Não é um tema que curto muito vou passar a dica dessa vez mas acho que a autora tenha muito a crescer quem sabe eu conheço a autora obras.
    Abraços!!!!

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  5. Bom, esse tipo de romance é dos meus preferidos, mas acho interessante essa questão colocada do livro que nos faz pensar sobre: "O que é melhor para mim é o que eu quero e não o que meus pais querem que seja." Ou até mesmo essa questão da proibição e obrigação de algo, são questões interessantes a se pensar também.
    Dessa vez eu passo a dica haha

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