Resenha || Quando Eu Parti - Gayle Forman

Editora: Galera Record
Páginas: 308
*Recebido em parceria com a Editora
Quando um coração falha, não é apenas o corpo que trai. Mas sonhos desfeitos, amores não vividos, destinos cruzados. Maribeth Klein tem a própria cota de problemas: do marido omisso até a chefe e ”ex-amiga” Elizabeth, passando pelos gêmeos superativos. Ela está sempre tão ocupada que mal percebe um ataque cardíaco.
Depois de uma complicação inesperada no procedimento cirúrgico, Maribeth começa a questionar os rumos que sua vida tomou e faz o impensável: vai embora de casa.
Longe das exigências do marido, filhos e carreira, e com a ajuda de novos amigos, ela finalmente é capaz de enfrentar o passado e os segredos que guarda até de si mesma

Em Quando Eu Parti conheceremos Maribeth que é mãe de um casal de gêmeos, casada com seu namorado por quem se apaixonou ainda na época da faculdade e uma profissional respeitada com um emprego que sempre quis. Porém como nem tudo são flores, ela acaba tendo um infarto sem perceber e o que a salva é uma consulta de rotina, onde a médica em questão acaba socorrendo Maribeth e até evitando que o pior pudesse acontecer. Maribeth passa por um processo cirúrgico e a partir daí as rachaduras começam a aparecer. Ela está saturada do tipo de vida que leva, onde seu marido não tem um emprego que garanta tranquilidade, sendo assim, ela precisa se preocupar com tudo em questões financeiras, assim como cuidar dos gêmeos mantendo a “aparência” de boa mãe, ser boa profissional, esposa compreensiva e etc. 

Após a cirurgia Maribeth volta para o seu lar e se sente cada vez mais saturada, cansada e entra em pânico. Pede ajuda ao esposo e não a obtém como espera, então em um diálogo com a enfermeira acaba decidindo partir com o dinheiro que tem na poupança, herança que seu pai lhe deixou, sem entrar em contato com ninguém e deixando seus filhos para trás. Ela tem intenção de melhorar, já que está recém operada, sente dores e praticamente está sendo excluída de suas funções na empresa pela sua amiga e chefe (ou talvez ex amiga), concluindo ela vai para outra cidade e a princípio a ideia é passar alguns dias.. Mas esses dias vão se estendendo e ela passa a escrever cartas para seus filhos, cartas que nunca envia, além de procurar por seus pais biológicos; ela é adotada e de começo a intenção é de obter informações de saúde já que se encontra em um momento delicado. 

Maribeth enfrenta novos desafios pessoais, dúvidas, devaneios e os dias vão passando e ela longe de sua família. O que será que irá acontecer com Maribeth? E o que seus filhos e marido pensam sobre o que ela fez?

Bom, tenho dois filhos (um adolescente e uma criança de 8 anos) e JAMAIS, JAMAIS, deixaria eles para trás. Eles são o motivo de eu renovar minhas energias diárias para lutar e seguir adiante! Literalmente – “Minha vida pela deles”, mas em inúmeros momentos, assim como Maribeth, me sinto sobrecarregada, estressada e no limite.. Sinto desejo que alguém me socorra e diga: “Calma! Eu resolvo tudo!”. Mas assim como nessa ficção, no mundo real não tenho essa ajuda fantástica e tenho que rebolar para resolve tudo, algumas vezes com apoio, outras não! E sim! Bate o desespero e toda vez que escuto meu filho dizer que está louco para crescer e ser adulto, eu respondo: “aproveite muito enquanto você tem alguém para resolver tudo por você, pois ser adulto não é mole não”.

Então o que eu quero dizer com isso? Fiquei com raiva da decisão de Maribeth deixar seus filhos para trás. Me doeu de verdade, ainda mais que recentemente eu passei por uma situação sinistra onde eu quase perdi meu filho em um acidente e quase morri também, então não.. Não consigo entender como uma mãe abandona os filhos, e isso me incomodou, percebi os problemas de Maribeth, as questões do passado não resolvidas, mas ainda assim, eu JAMAIS deixaria os meus meninos! 

Mas concluindo, percebi o que já sei, que precisamos enfrentar nossos monstros para aprender a lidar com o que tem ao nosso redor. Ainda assim não me agradou várias das atitudes da personagem principal. Mas o livro é bom e sei que é uma realidade palpável, o desejo de muitas mulheres em ter mais espaço, mais parceria, mais tempo.. Sei que assim como eu me sinto sobrecarregada com inúmeras situações, muitas mulheres sentem-se assim, mas cada uma lida de forma diferente com o que acontece ao redor. Eu não me vejo fazendo o que Maribeth fez, mas sei que existe na realidade muitas Maribeths. E verdade seja dita, cada um sabe a cruz que carrega.  

A escrita de Gayle Forman está mais madura e ele nos trouxe um tema muito real e que traz excelentes reflexões.

1 comentários:

  1. Karini!
    Apesar de gostar muito da autora, também não entendi o porque dela colocar uma protagonista que desaparece, sem motivo aparente apesar das pressões, e abandona principalmente os filhos. Não entra na minha cabeça uma mãe abandonar o filho seja lá por qual motivo...
    Espero que já tenha se restabelecido do susto que passou e que tudo esteja bem com você e seu filho.
    “Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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