Resenha || Percepção da Morte - Louise Anderson

19.1.17

Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 546
*Da série livros que eu amei! - Momento Nostalgia*
Intransigente e ambiciosa, Erin Paterson gerencia a firma de advocacia de seu avô em Glasgow. Mas, apesar de toda a aptidão que possui para administrar o lado profissional, sua vida pessoal anda em frangalhos: sua irmã cria um filho sozinha e está desempregada, seu pai sofreu um derrame e sua mãe parece desprezá-la. Para completar, ela acaba de encontrar o namorado na cama com a zeladora do prédio onde mora e é presa por agressão.
Quando uma velha amiga de sua irmã é brutalmente assassinada, o passado de Erin vem à tona. E o que ficou mantido a uma distância segura por tanto tempo ressurge para expor um segredo que deveria ter permanecido morto e enterrado.
Diante do risco de perder tudo — a sua reputação, o escritório da família e até a própria vida —, Erin precisa descobrir quem é o serial killer que está à solta e provar a todos que está acima de qualquer suspeita.
Não é o que acontece de fato que interessa, mas como percebemos. Todos testemunhamos as mesmas coisas, mas as vemos de maneiras diferentes. Nós as vemos a partir da nossa perspectiva. Ao mesmo tempo que sofremos com o que pode ser o pior dia das nossas vidas, compreendemos que outros também estão sofrendo com catástrofes por todo o mundo.
Olá pessoas queridas!
Hoje estou aqui para falar um pouco sobre o livro Percepção da Morte da Editora Bertrand Brasil. Esse é o livro de estreia da autora Louise Anderson e ouso dizer que em minha opinião, ela arrasou. A história dá um nó na cabeça dos leitores; nem digo pela revelação do assassino em si, mas pela forma como a autora conduziu a trama com maestria, lançando dúvidas e revelando fatos realmente macabros sobre a vida dos personagens. As aparências enganam e pode esconder segredos aterradores.
Nossas vidas são unidimensionais e metaforicamente paralelas. Milhares de linhas tênues e tão próximas uma da outra que não dá para ver os vãos entre elas.
Em Percepção da Morte conhecemos Erin Paterson uma advogada de renome que administra a empresa da família. Ela é uma mulher aparentemente fria, calculista, intransigente, polida, frígida entre outras coisas. Não possui amigos e vive para trabalhar, concentra-se em sua carreira e é uma das mais cotadas na área de indenizações. Ela controla tudo ao seu redor, para que as coisas permaneçam como deseja; gosta da rotina, e de estar no controle e está entre as mais cobiçadas solteiras da Escócia; sua herança e nome lhe precedem. Ela é oponente e gosta de desafiar a todos, inclusive se mostra completamente autossuficiente.

Tudo estava como desejava ou esperava até que esquece um arquivo importante em casa e ao retornar encontra seu namorado transando em sua cama com a zeladora e aí as coisas desandam completamente.

O ultraje não é exatamente pelo namorado, afinal ela sempre soube que eles não tinham futuro, estavam juntos por comodismo. Mas a questão é que ele toca em feridas pessoais e a irrita muito querendo por a culpa da situação nela. Após ser encurralada, com ele "cuspindo" coisas desnecessárias, já que ela só quer que ele saia de seu apartamento, ela acaba perdendo o controle e o agride com uma estátua; tudo sendo presenciado por seu odiado vizinho jornalista Paul Gabriel, e pela zeladora/amante de Alex, seu namorado. 

Erin acaba sendo detida para esclarecimentos, pois Alex presta queixa, e vendida por ele aos jornais. Tudo é publicado pela mídia, e sua vida vira um grande circo e ela começa a perder o controle que tanto agarrava e que lhe mantinha no lugar. 

Após esse "incidente" com Alex as coisas no trabalho também mudam e Erin acaba levando uma punhalada pelas costas e perdendo a sociedade da empresa, assim como seu prestígio, pois muitos se afastam; mas também vai percebendo aos poucos aqueles que lhes são fieis.
De uma só vez, eu havia perdido o namorado, sido chamada de corna maluca, envolvida em um assassinato e tinha perdido a minha firma. Minha empresa. Minha.
Erin vai para casa de seus pais e lá mais uma vez acaba sendo confrontada pela polícia, mas dessa vez não pela agressão ao Alex e sim porque Lucy Grant uma mulher recentemente assassinada ligou para o celular dela no momento de sua morte. Erin parece confusa com tudo. Está perdida e sem noção, e absolutamente intrigada com a ligação de Lucy, alguém que conheceu vagamente, pois estudaram na mesma escola, mas ela era do ano de sua irmã e não do seu e não faz a menor ideia do motivo da ligação. Percebe-se que a última ligação foi não um trote como ela pensou no começo ao ouvir, e sim o momento da morte de Lucy. A ligação só pode ter sido feita pelo assassino quando estava estuprando a vítima. 

E aí temos uma Erin paranoica e perturbada, que ora parece louca e outra bastante astuta; apesar de ela dar uns moles "destruindo" provas contra o possível assassino, que em dado momento acaba interligando-se a outros casos e se mostra um serial killer. Nisso temos muitas visitas policiais e cada um com sua própria linha de raciocínio. Paul Gabriel é o jornalista da impressa marrom, que é seu vizinho e que tem uma ligação passada com os casos; ele era detetive e saiu por conta dessa rede de assassinatos. Mas parece que nunca deixou o caso realmente para trás. Kelman é o detetive que acompanhava Paul Gabriel e que percebe as nuances e ligações entre as mortes passadas e a de Lucy Grant, assim como já tinha algumas suspeitas a cerca de Erin por conta do passado de seu irmão morto Leland. 

Aí temos também detetive Marshall entre outros. Geralmente temos um detetive destaque, nesse livro temos vários que são constantemente mencionados e estão ligados ao passado de alguma forma e que acabam também despertando ira, raiva, suspeitas por parte de Erin, que por outro lado é suspeita de uns, considerada fora de si por outros. 

Entende-se que Paul Gabriel e Kelman não conseguiram simplesmente deixar o caso para lá, apesar de um não ser mais detetive e o outro reabrir uma antiga investigação sendo desacreditado por seguir uma linha que outros não concordam, Marshall está ligado ao caso atual. Cada detetive tem sua jurisdição e acabam se encontrando no meio de toda a confusão da vida de Erin. 

Eu suspeitei de cada um deles, assim como suspeitei de outros personagens secundários como a linha primeiramente direcionada que foi de alguém relacionado ao passado de Leland que tinha conhecimento de situações bastante macabras, assim como da mãe, da irmã e por aí vai. 

A autora deu um nó na minha cabeça com tantos personagens e situações que pouco a pouco foram sendo interligadas e esclarecidas, porém outras ficaram "no ar" e acredito que ainda vem mais um livro por aí, que a intenção da autora foi deixar uma brecha, por isso algumas pontas soltas como no final; como a mãe de Erin que parece sofrer de algum transtorno e ao mesmo tempo em que não fala nada, tem momentos que acaba revelando pedaços importantes; a paternidade do sobrinho de Erin que ela deixa no ar que pode ser um problema futuro. Um assassino preso e insano que diz ter cometido sim alguns dos crimes, mas não confessa todos eles e acredita ter alguém que o ameaça e persegue, mas não diz quem é. Ele tem obsessão doentia por Erin especialmente; e todas as mortes que ele cometeu foram pensando nela, buscando por ela; a coisa toda remete a um passado que Erin tentou varrer para debaixo do tapete, mas que voltou para lhe assombrar. 

Bom, a história é longa; são muitas páginas e parece desconexa, mas quem ler com atenção perceberá o que liga cada pessoa e história como nas citações que escolhi por acima. Fiquei um pouco irritada no final, pois achei que era um livro único e com respostas para tudo, mas a autora, como eu disse, deixou coisas no ar. Então acredito que ela tem intenção em prosseguir em um futuro quem sabe? Mas de qualquer maneira gostei do assassino, fiquei enojada com as motivações doentias dele; compreendi o jeito de ser não só de Erin, mas de sua irmã e as reações estranhas da Lady Paterson (mãe de Erin e Broke) entre outras situações. 

Achei a história interessante por conduzir o leitor por um caminho e de repente mostrar que não era bem aquilo, que tinha outras coisas por trás que realmente não dava para ter noção inicialmente e que as aparências enganam completamente. Que por mais que vivamos uma vida que escolhemos nem sempre temos controle sobre tudo e infelizmente tem coisas que realmente é melhor deixar no passado. Que prestígio e reputação podem sofrer um baque terrível dependendo da situação em que se coloque, não importa o tamanho da sua conta bancária ou sua educação. Mas que com muita força de vontade pode-se tentar reerguer-se e ter um pouco de fé em dias melhores; mas que algumas coisas te marcam e formam uma "crosta" difícil de desfazer!
Havia algo peculiar naquele sorriso. Era voraz, a melhor descrição possível. Um sorriso voraz.
Melissa sentiu um pequeno espasmo de excitação.
Mas aquele seria a última coisa que ela veria.
O sorriso dele.

Um comentário

  1. Karini!
    Gosto é de livros assim, onde parece que nada dá em nada, que nada tem conexão com nada, mas cada detalhe é importante para desvendar todo mistério e no final, todas as personagens de alguma forma estão conectadas.
    Já anotei aqui para leitura.
    “Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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