Resenha II Má Feminista - Ensaios Provocativos De Uma Ativista Desastrosa - Roxane Gay

Editora: Novo Século
Páginas: 312
*Recebido em parceria com a Editora*
Nesta seleção de ensaios engraçados e perspicazes, Roxane Gay nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos. O retrato que emerge não é apenas o de uma mulher incrivelmente sagaz em contínuo crescimento para compreender a si mesma e à nossa sociedade, mas também o espelho de nós mesmos. Gay fomenta um debate ácido e cômico sobre o feminismo atual – e suas contradições –, política, racismo, violência, transitando entre a cultura pop e a análise crítica. “Má feminista” é um olhar afiado, e nos alerta, acima de tudo, para a maneira pela qual a cultura que nos envolve torna-nos quem somos.

Roxane Gay, 41, é escritora, professora universitária em Indiana e feminista. Ficcionista e ensaísta americana de origem haitiana, ela ganhou destaque por sua defesa de assuntos como igualdade de gênero e de raça e respeito ao outro ao publicar artigos sobre esses temas em diversos veículos – hoje, é colunista do Guardian.
"Má feminista" é um livro repleto de ensaios onde a autora discute diversos temas. Para facilitar a leitura, o livro foi dividido em seções: Eu; Gênero e sexualidade; Raça e entretenimento; Política, gênero e raça e De volta ao meu eu. 
A primeira seção "Eu" provavelmente é a mais intimista delas, pois traz uma visual pessoa da autora sobre o feminismo e o motivo pelo qual ela mesma se considera uma má feminista.
"Adoto abertamente o rótulo de má feminista. E faço isso porque sou imperfeita e humana. Não sou perita em história do feminismo. Também não sou, como gostaria, perita na leitura de textos feministas fundamentais. Tenho alguns... interesses, peculiaridades de personalidade e opiniões que podem não se alinhar com o feminismo tradicional, mas, mesmo assim, ainda sou uma feminista.." (p. 8)
Um capítulo na seção "Gênero e Sexualidade", chamado "A linguagem negligente da violência sexual" é impactante e devastador ao apresentar as mulheres como provocativas, dando a entender que ao serem violentadas, de alguma forma, estavam pedindo por isso. Um exemplo dado pela autora foi sobre um estupro coletivo de uma criança, onde a mídia praticamente culpou a vítima pelo ocorrido.
"Houve discussão sobre o fato de a menina de onze anos, a criança, vestir-se como se tivesse vinte, deixando implícita a possibilidade de que uma mulher possa "pedir por isso" e também de que, de alguma forma, é compreensível que dezoito homens estuprem uma menina.Chegou a haver questionamentos sobre o paradeiro da mãe da criança, levando-se em conta que, como todos sabemos, uma mãe deve estar com o seu filho em todos os momentos, caso contrário, qualquer acidente que aconteça é evidentemente culpa da mãe. Estranho não haver questionamento sobre o paradeiro do pai enquanto o estupro ocorria" (p. 132)
A seção de "Raça e Entretenimento" também é cheia de reflexões interessantes, pois discute a objetificação da mulher na mídia, fala sobre o padrão de perfeição estética esperado para as mulheres, mas também discute sobre a quase inexistência de papéis para mulheres negras ou para mulheres que se encontram fora dos padrões esperados.
"Hatie McDaniel, a primeira pessoa negra a ganhar um óscar, o fez por seu papel como Mammy em E o vento levou (Gone with the Wind),  em 1939. McDaniel era uma atriz formidável, mas, para o bem ou para o mal, sua carreira foi dominada por papéis como empregada, pois, naquela época, a servidão doméstica era a única expressão que a cultura popular concebia para mulheres negras. Em 2012, Octavia Spencer recebeu um Oscar interpretando Minny Jackson, uma empregada doméstica, no popular, mas profundamente problemático, filme Histórias Cruzadas, que recebeu quatro indicações ao Oscar. Enquanto ainda existe uma retórica muito rasa sobre a América pós-racial, quando se trata do Oscar, Hollywood tem concepções muito específicas sobre como quer ver negros na sétima arte". (p. 226)
Um livro forte, impactante e com o objetivo de fazer o leitor refletir e discutir sobre o que acontece ao seu redor.
"Às vezes, uma pessoa ousada, do tipo cruel, vai me perguntar como engordei tanto. Elas querem saber por quê. "Você é tão inteligente", dizem, como se a estupidez fosse a única explicação para a obesidade". (p. 121)

2 comentários:

  1. Oie,
    O livro parece ser bacana, mas não faz o meu estilo de leitura, por isso não pretendo ler ele, pelo menos por agora, achei super bacana a autora falar da desigualdade existente.
    Beijos *-*

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  2. Caroline!
    Carecemos de livros do gênero onde podemos discutir vários assuntos que envolvem a sociedade contemporânea.
    Gostaria de ter a oportunidade de ler.
    “É melhor saber coisas inúteis do que não saber nada.” (Sêneca)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de NOVEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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