Resenha II O que há de estranho em mim - Gayle Forman

Editora: Arqueiro
Páginas: 224
*Livro recebido em parceria com a Editora*
Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.
Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.
Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.

Neste livro Gayle Forman fala sobre os anseios dos pais diante seus medos e os próprios filhos e em como os mesmos algumas vezes cometem burradas, achando que estão fazendo o melhor para eles. 

Brit é uma jovem praticamente comum, sendo que curte tatuagens, cabelos coloridos e toca em uma banda; tirando isso ela não bebe, não fuma, não usa drogas, não faz sexo e nem nada assim. Simplesmente se vê bastante perdida devido a enorme mudança em sua vida. Sua mãe era uma mulher viva, maravilhosa, animada, jovem de espírito até que as coisas mudaram quando ela ficou doente; uma doença mental (esquizofrenia) e com isso as coisas na vida dela e de seu pai mudaram. Seus pais sempre se amaram muito e viviam muito bem, mas com a chegada da doença as coisas se tornaram complicadas e seu pai carregava um grande fardo; ele era o único com poder para internar sua mãe, mas por motivos próprios não conseguiu fazer isso, acreditando que ela poderia melhorar.. Até que ela um dia desapareceu; simplesmente foi embora. Eles tinham um café/bar e após a mãe de Brit sumir, ele fechou o mesmo, arrumou um emprego novo, uma esposa nova e também teve um filho. Isso tudo na cabeça de Brit aconteceu muito rápido e como seu pai deixou de ser suave, liberal, espontâneo, Brit associou tudo a sua madrasta, passando a chamá-la internamente de monstra e culpá-la por tudo! Mesmo assim, ela não é uma rebelde sem causa! 

"- Pai! O que está acontecendo? O que eles estão fazendo?
- Por favor, não machuquem minha filha - suplicou papai, então olhou para mim. - É para o seu próprio bem, meu amor, é para o seu próprio bem.
- O que você está fazendo comigo, pai? Para onde eles estão me levando?
- É para o seu próprio bem.

Vi que ele estava chorando e fiquei ainda mais apavorada.
Fui jogada numa saleta abafada e a porta foi trancada. Soluçando, esperei que papai caísse na real, visse a grande besteira que estava fazendo e viesse me buscar. Mas não foi isso que aconteceu."

Mas em dado momento seu pai inventa uma viagem em família, justo quando a Clod (banca na qual Brit toca iria ter uma grande apresentação), claro que como boa moça que é, apesar de não concordar, ela segue seu pai. E o mesmo diz que sua  madrasta e irmão irão de avião, enquanto eles seguem de carro. O que Brit não esperava, era que iria ser "jogada" em um reformatório juvenil e aí seu pesadelo pessoal tem início! Ao invés de estar em um local que curaria a "rebeldia" de Brit e a ajudaria a lidar com seus problemas, ela se depara com uma instituição regida por pessoas que acreditam que insultar, ameaçar, menosprezar os jovens seja a solução! Uma verdadeira terapia de choque, porém sem qualquer beneficio aos participantes enclausurados, que vivem como se tivessem cometidos delitos graves e não sofressem de depressão, bulimia, ou coisas comuns como ser gay, por exemplo.

"Os monstros estão por todo lado,
Só que a gente olha e não vê
Não têm garras, não têm dentes afiados,
Parecem comigo e com você." 

Brit sequer tem contato com o mundo exterior e culpa mais uma vez a madrasta por tudo que está passando; ela foi um estorvo e resolveram se livrar dela. Mas as coisas começam a mudar quando ela conhece as companheiras da Red Rock: V, Bebe, Martha e Cassie e juntas acabam formando um clubinho extra, ultra exclusivo, onde uma ajuda à outra a superar seus problemas e anseios. 
Ela encontra não apenas amigas, mas verdadeiras irmãs que a fazem suportar tudo que está vivendo ali, principalmente o "tratamento" com a Dra. que nem sequer é formada em psicologia ou algo assim. 

"Que tipo de instituição educacional ia querer que a pessoa não tivesse amigos nem se divertisse pelo menos um pouco? Que tipo de lugar ia querer que a pessoa ficasse sozinha e triste, sentindo-se desprezada, só em nome da terapia?

Em meio aos seus próprios medos e demônios.. De ficar como sua mãe; de estar apaixonada por Jed (da banda Clod), de sentir-se descartada por seu pai, a raiva por sua madrasta.. E etc. Brit reúne forças para correr atrás de desmascarar a Red Rock e ver todas livres de uma vez por todas, quando Martha sofre com os abusos infligidos pela instituição, indo parar no hospital em situação grave! 

"O que cada um de nós havia feito para estar ali? Cassie gostava de meninas mais do que achavam que deveria. Bebe gostava de meninos mais do que deveria. V pensava na morte mais do que deveria. E eu? Por que é que estava ali? Porque era mais parecida com a minha mãe do que deveria? Porque assustava meu pai mais do que deveria?"

A história é intensa e muito realista até, pois como mãe, sei que muitas vezes, nós (pais) somos autoritários e realmente achamos que sempre sabemos o que é melhor para nossos filhos,  muitas vezes até sem levar em consideração o que os mesmos pensam a respeito. "Quem nunca?" 

Então ler O que há de estranho em mim, não foi apenas como ler um livro qualquer, mas um livro que me deu um puxão para estar ligada que mesmo que eu saiba que algo é melhor para meus filhos, ouvir a opinião deles é sempre fundamental para entender o que está acontecendo "no mundo deles". Muitas vezes vemos atitudes de revolta em um ato que talvez seja apenas símbolo da personalidade dos mesmos e que não prejudica nem a eles, nem a ninguém!

Um exemplo que posso mencionar. Meu filho de 14 anos colocou um alargador na orelha - eu autorizei, acompanhei e adorei o resultado. Mas muitos (incluindo familiares) acharam um absurdo. Cada um com sua opinião! Tudo tem um limite e idade e a meu ver um alargador não define caráter, mas a personalidade do meu filho.. Que já vinha falando a respeito desde os 11 anos de idade, quando achei precoce.. Mas que juntos conversamos e decidimos que era o momento certo. Ele é rock na veia, mas um menino que vive dentro de casa, tranquilo e muito prestativo e carinhoso. Mas já ouvi coisas como: "Cuidado! Rock é coisa de drogado" "Vai levar seu filho no Rock in rio? Isso é incentivar as drogas!". Não vejo por aí! Mas também, já fui extremista com ele em algumas situações. 

"O que há de estranho em mim" veio apenas para reforçar o que eu já pensava que preciso escutar meus filhos, mesmo que acredite que algo seja melhor para eles!

A história traz um misto de drama, amizades sinceras que se formam nas situações mais inusitadas, romance e nos mostra que às vezes somos reféns do nosso próprio  medo! 

Recomendo muito o livro e simplesmente é um livro rápido, mas que tem muito a nos passar em suas páginas!

13 comentários:

  1. Oi Karini, nossa esse livro parece ser emocionante, gostei muito da sinopse e da sua resenha e os quotes são bem emocionantes com certeza vou le-lo bjs.

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  2. Oiieee, tudo bom?
    Eu estou super curiosa para ler o livro, ele parece ser muito bom mesmo, e realmente as vezes os pais acabam sendo muito autoritários com os filhos, não tenho filhos, mas sei isso pois sou filha e a minha mãe as vezes é demais kkkkkkk não deixa ela ver que falei isso, o livro pelo visto nos ensina muito, gostei do fato dele ser bem realista, espero ler em breve e que ele me agrade muito.
    Beijos *-*

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  3. Olá
    Estou me tornando uma fã da Gayle Formam cada livro que leio dela fico encantada com a história e sua escrita e estou super ansiosa para ler este livro achei o tema tão interessante e adorei sua resenha,parabéns.
    bjs

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  4. Oi Karini!!! Gostei muito da resenha!!! Parece ser muito intenso esse livro, por isso vou deixar pra ler mais pra frente, pois estou numa fase complicada para ler livros assim, mas gostei demais do tema e tudo mais que envolve o relacionamento entre pais e filhos!!!
    Quanto ao fato do seu filho ser roqueiro só posso dizer que ROCK É VIDA!!!! Kkkkk Fiquei com inveja por terem ido ao Rock in Rio!!!!kkkkk Apesar de amar rock não consigo ficar em meio a multidão, pois passo mal!!

    Bjsssssssss

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  5. Mais um livro com temas realistas e super bem escrito pelo jeito. Gosto muito dos livros da autora, a escrita dela é viciante e super gostosa de ler. Esse parece ser outro que foi muito bem feito e estou querendo ler pra ontem! Pra quem tem filhos é uma boa dica, não é? A trama trás uma lição muito boa.

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  6. Muito legal sabermos mais da sua relação com seu filho e que esse livro te marcou e passou lições importantes, acho que uma leitura realmente positiva sempre nos leva isso quando terminamos de ler. Abraços, adorei a resenha e claro que quero ler O Que Há de Estranho em Mim. Abraços =)

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  7. Karini,muito boa resenha. Essa autora me parece que gosta de trabalhar com temas polêmicos e reais não?! Apesar de nunca ter lido nenhum livro dela,já vi várias resenhas dos meus amigos para chegar á essa conclusão...
    Apesar de não ser do meu estilo,eu me interessei em ler ele,fiquei curiosa para saber como tudo vai se resolver,como ela vai sair desse reformatório, e suportar a terapia de choque. Só fico com um pé atrás do final ser triste...espero que não,pois odeio finais tristes :/

    E ah,não poderia deixar de mencionar que foi muito legal você citar uma experiência sua de vida que se relaciona de certa forma com a mensagem do livro. Muito bem exposto :)
    Bjoss

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  8. Oi!
    Esse foi um livro que quando vi no lançamento não me chamou atenção mas lendo a resenha quero muito ler esse livro, gostei dos temas que a Gayle Forman consegue aborda com essa historia e também da amizade das meninas o que me deixou interessada no livro !!

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  9. Adorei a sinopse, já ouvi mts elogios ao livro! Espero le- lo o mais breve possível para poder me colocar no lugar de Brit, e a entende - la!
    Adorei a resenha!
    Bjus *-*

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  10. Livros da autora sempre tem aquele toque de drama, atualmente só li da autora Se eu ficar e Para onde ela Foi. Gostei bastante da resenha e fiquei interessada em ler.

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  11. Gosto muito da escrita dela e do gênero que ela escreve, mas confesso que estou um pouco enjoada de muito drama. Desde o lançamento, fiquei muito curiosa com esse livro, pelo título e por gostar da autora também. Queria que minha mãe me levasse ao RiR hahah você parece ser uma ótima mãe. Gosto de livros assim, que nos fazem pensar.

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  12. Gostei bastante desse tema que a autora decidiu abordar nesse livro, é algo que a sociedade deveria vir de saber. Ja esta na minha lista!

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  13. Quero muito ler esse livro, ja li muitos elogios sobre o livro, amei a resenha, a capa é bonita e o tema despertou muito minha curiosidade.

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