Resenha || Meu Inverno em Zerolândia - Paola Predicatori



Suma de Letras, 2014, 1ª Ed.
Romance de estreia da italiana Paola Predicatori, Meu inverno em Zerolândia é a história de uma perda, da vida escolar conturbada e dos caminhos desajeitados e incertos que o amor pode tomar. Alessandra tem 17 anos quando sua mãe morre. Sua dor é como uma redoma e quando retorna à escola, se afasta dos amigos e vai sentar junto a Gabriel, conhecido como Zero, a nulidade da turma. Deseja apenas ser ignorada, como acontece com ele. Zero, porém, é mais interessante do que parece. Em sua falsa indiferença, é atento e sensível. É ele quem socorre Alessandra, aparecendo inesperadamente ao seu lado quando ela precisa de ajuda. Viram um par: Zero e Zeta. Aos poucos, um sentimento indefinível ganha forma entre as paredes da classe e a praia de inverno, surgindo uma história delicada e forte que mudará para sempre a vida desse casal de adolescentes. De maneira realista, Meu inverno em Zerolândia mostra a juventude italiana e seu cotidiano, em uma história dura e envolvente, capaz de mostrar que a soma de dois zeros não é zero, mas sim dois.    


Meu Inverno em Zerolândia trata de perdas, descobertas, enganos, erros, acertos, amizades, e principalmente que rumo tomar após a morte de alguém que se ama, quando nos vemos perdidos em meio a um mar de gente e não sabemos como agir ou reagir! Quando nada mais faz sentido, quando o que nos fazia feliz não nos basta mais..

Alessandra é uma jovem comum, que anda com um grupinho na escola, pratica natação e faz planos para o futuro.. Porém seu mundo é completamente abalado quando descobre que sua mãe está doente em estado terminal. As coisas mudam e ela passa a ver sentido no que não via e deixa de gostar do que lhe era rotineiro. Com isso resolve se isolar em Zerolândia, um "mundinho" onde tudo é calmo e silencioso, onde não há a necessidade de interagir com os demais.. Ela passa a sentar ao lado de Gabriel, um aluno conhecido como Zero, pois o mesmo é visto pelos demais como alguém insignificante. No início Alessandra pensava em sentar ali apenas para se isolar também, não tinha o menor interesse em Gabriel, mas aos poucos isso muda e ela passa a interagir, mesmo que de maneira peculiar com ele. 

Gabriel é um jovem com uma longa bagagem, tira péssimas notas, vive faltando aula e todos o veem como um nada; o mesmo não possui perspectiva de vida. Sua mãe é uma mulher sofrida abusada por um homem bêbado e que lhe toma o pouco dinheiro que tem, por conta disso, Gabriel, não fica em casa quando o pai está e a situação dessa família é realmente lamentável. Sua mãe, apesar de muito carinhosa e preocupada, não consegue fazer muito por Gabriel, que se encontra perdido em meio ao mar de pessoas, indiferente e alheio a tudo ao seu redor.. 

Pouco a pouco Gabriel e Alessandra se envolvem, não diria que um relacionamento comum.. Uma relação sem muitas palavras, onde um parece não esperar nada do outro, ambos tem seus problemas e sofrimentos e estão de certa forma tentando se encontrar!

Este livro retrata a perda de maneira clara, pois após a morte de alguém que amamos é dolorido pensar na pessoa, estar no ambiente em que antes essa pessoa esteve e seguir com sua vida.. É como se algo faltasse constantemente, algo que tira o nosso chão.. E é exatamente assim que Alessandra se sente. Ela perde o rumo, assim como sua avó; o elo entre elas era a mãe de Alessandra, mas como a mesma não está mais presente, ambas tem de descobrir como conviver e interagir. O sofrimento e a sensação de perda estão implícitos de maneira clara nas páginas do livro e faz o leitor sentir e pensar sobre tais questões!
E junto com isso tem também as questões de adolescentes, a escola, os colegas que não são tão atraentes como antes, vestibular, futuro, amizade, paixões e amores!

Uma história sensível que prende o leitor a cada página virada!

2 comentários:

  1. Eu to louca pra ler esse livro, trata de temas muito interessantes e gostaria muito de saber como se dá a relação de Zero e Alessandra. beijão

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  2. Karini, imagino o quanto essa menina tão nova não deve ter sofrido ao descobrir dessa doença da mãe. Perder as pessoas para a morte é a pior dor que existe, pois ela não volta nunca e sequer teremos contato outra vez.
    Realmente, parece um drama de nos deixar vidrados e querer largar o livro somente quando chegar na última página e olhe lá.

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