Resenha || "Beta" - Série Annex #1 - Rachel Cohn




Editora ID, 2014, 1ª Ed.
"Em um mundo construído com perfeição absoluta, a imperfeição é difícil de entender e impossível de esconder. Elysia é um clone, criada em laboratório, nascida como uma garota de dezesseis anos, um vaso vazio, sem experiência de vida para se basear. Ela é uma Beta, um modelo experimental de clone adolescente. Ela foi replicada a partir de outra adolescente, que morreu para Elysia ser criada. O propósito de Elysia é servir os habitantes de Demesne, uma ilha paradisíaca para as pessoas mais ricas do planeta. Tudo em Demesne é uma perfeição em bioengenharia. Até o ar induz à uma estranha euforia que somente os trabalhadores da ilha—clones sem alma como Elysia—são imunes a ele. Inicialmente, a nova vida de Elysia nessa ilha é idílica e mimada. Mas logo percebe que os humanos de Demesne, as mais privilegiadas pessoas do mundo, anseiam. E percebe que debaixo do exterior impecável, há uma corrente de descontentamento entre os clones. Ela sabe que não tem alma e não consegue sentir e se importar—então por que tudo as sensações estão turvando a mente de Elysia? Se alguém descobrir que Elysia não é o clone insensível que finge ser, ela sofrerá um terrível destino, doloroso demais para se imaginar. Quando a única chance de felicidade de Elysia é arrancada dela com uma crueldade de tirar o fôlego, as emoções que sempre teve, mas nunca entendeu, são desencadeadas. Quando a raiva, o terror, e o desejo, ameaçam dominá-la, Elysia deve encontrar a vontade de sobreviver".
Narrado em primeira pessoa, o leitor irá acompanhar a história pela perspectiva de Elysia. Elysia, conforme a sinopse explica, é um clone experimental (motivo pelo qual é chamada de Beta). Elysia está na ilha Demesne, um local considerado exclusivo, pois é refúgio para aqueles realmente ricos. Tudo na ilha é baseado na perfeição e aparência. O ar é mais puro, as águas tem outras cores e não existe comportamentos considerados ruins. Pelo menos é o que todos afirmam. Uma verdadeira ode à futilidade e ao egocentrismo.

Exposta em um butique na ilha, junto com outra Beta chamada Becky (que é considerada problemática por não ser perfeita), Elysia tem o seu destino alterado quando uma figura importante entra na loja.

A Beta foi vendida à Sra. Bratton, esposa do governador. Como sua filha mais velha Astrid foi para a Universidade Bioma, que fica no continente, a Sra. Bratton quer uma substituta, mas claro que precisa ser algo obediente e tranquilo. Na casa do governador, Elysia convive com o Ivan, filho de 18 anos que é campeão de luta livre e Liesel, uma garotinha fofa de 10 anos de idade.

Apesar de Astrid não aparecer no primeiro livro, ela é citada inúmeras vezes e começamos a entender quais eram suas reais crenças em relação à sociedade formada na ilha Demesne. A partir de fragmentos dessa personagem oculta temos algumas pistas de que nem todos os jovens são realmente alienados.

Conforme a protagonista vai adquirindo conhecimentos sobre o local, ela também vai tendo flashbacks que estariam relacionados com a sua Matriz e apresentam sempre a imagem de um lindo rapaz loiro.

Para que um clone seja criado, uma pessoa precisa morrer. Essa pessoa, chamada de Matriz passaria todos os seus aspectos físicos ao clone, que é considerado como "algo" porque não possui alma e sua única missão na vida é servir. Existem diversas classes de clones: jardineiros, seguranças, babás... cada uma delas é distinguida pela tatuagem na face, que difere em cor e desenho de acordo com a função.

Se o livro focasse no contexto geral, que seria apresentar esse novo mundo, com direito a uma revolução, conhecida como "Insurreição", a história seria espetacular.

O grande problema foi que a história começou a ganhar novas dimensões com a inserção do grupo adolescente que são amigos de Ivan e com isso, o foco foi a possibilidade de um romance. A história não é ruim, mas existiam muitos outros aspectos que deveriam ter sido melhores discutidos, como os próprios clones, o uso de raxia, os Aquinos, a Insurreição e os Horríveis, que acabaram ficando um pouco apagados.

São quatro adolescentes que ganham destaque no livro: a Greer, filha do Embaixador de Demesne, Demetra, Farzad e seu primo Tahir. Cada um deles representa uma característica importante que é debatida no livro.

Os personagens do livro são um pouco enervantes. Os seres humanos são extremamente vazios, pessoas sem personalidades que preferem ficar sem fazer nada, enquanto que os clones "defeituosos" deixam claro que irão lutar para conquistarem a sua liberdade. Esse comportamento trocado é uma ótima reflexão sobre a sociedade e sobre como consumistas e alienados, mais preocupados com o "ter" do que o "ser".

Alguns eventos perto do final poderiam ser considerados um pouco exagerados, sendo que na última folha do livro ocorre o que poderíamos chamar de "reviravolta".

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. Existem alguns errinhos bobos (como na página 206), mas nada que interfere na leitura ou compreensão. A capa combina muito bem com a descrição da personagem.


"A Mãe acha que é dona desse cabelo. O Ivan acha que é meu dono. 
Eles não só acham que me possuem. Eles me possuem, isso é fato.
Esse fato vai mudar. Eu vou mudar". 
(p. 227)

7 comentários:

  1. Esse livro tem tudo pra ser ótimo mas sério que com tantas possibilidades fantásticas eles tentaram um romance no livro? Já caiu um pouco minha vontade de ler mas quem sabe dou uma chance ainda. beijo

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  2. Amo livros de distopia, por isso estou mais que ansiosa para ler esse livro.

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  3. Oi Carol, tudo bem? Assim que li a sinopse desse livro eu fiquei bem curiosa, mas depois que vi quem é a autora eu fiquei receosa, a Rachel escreve bem, só que tendo lido outros livros dela eu ainda não consigo imaginá-la escrevendo uma distopia, só lendo mesmo para tirar as minhas conclusões.
    Abraços,
    Andréia - StarBooks

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  4. Esse livro, me lembrou aquela séire FEIOS...acho que tem a mesma fórmula...mas, como gostei dela e gostei de sua resenha, vou querer ler o livro tb. Valeu mesmo pela dica e parabéns pela resenha..bjs

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  5. Oi Carol!!! Adoro Distopias!! Esse vai pra minha lista com certeza!!! A capa é muito bonita e gosto dessas coisas de ficção cientifica!!

    Bjssssssssssss

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  6. Carol, genia essa ideia de criar um clone experimental.
    Distopias é uma das obras que mais desenvolvem a criatividade e eu simplesmente adorei. Achei bastante pesado essa coisa de uma pessoa morrer para um clone existir, pesado no sentido de incrível e trágico, claro. Fiquei com vontade de ler o livro, acho que não é mais novidade isso haha

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