Resenha: Dias Perfeitos - Raphael Montes



Companhia das Letras, 2014, Edição 1ª
Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.


"Dias perfeitos" traz uma história em que o protagonista é um jovem que poderia ser considerado "o vizinho da porta ao lado". Téo é um estudante de medicina de 22 anos que cuida de sua mãe Patrícia após ela ter sofrido um acidente de carro e se tornado uma cadeirante. Na superfície, Téo é "normal", mas conforme avançamos na leitura percebemos algumas particularidades em sua vida, como o interesse fora do comum em Gertrudes, nome dado ao cadáver que é dissecado em suas aulas de anatomia.
Em seus devaneios Téo tem uma amizade com Gertrudes. Na verdade, durante toda a leitura, ela é a sua única referência quando o assunto são amigos.

Clarice é uma jovem de 24 anos que estuda história da arte e está escrevendo um roteiro chamado "Dias Perfeitos" onde três amigas iniciam uma viagem de carro. Clarice é a vítima do livro, não há como negar tal fato, mas ela não é inocente em todas as suas ações. Por traz de todos os trejeitos carismáticos dela esconde-se também uma pessoa confusa.
Téo acaba cruzando seu caminho com o de Clarice e após uma única conversa fica um pouco obcecado com a garota, tendo devaneios e idealizando situações. Infelizmente as coisas saem do controle e começa a ser narrada uma história perturbadora sobre um jovem que em algum momento cruzou o limite da normalidade e a insanidade.

"Enxergava Clarice como um diamante bruto. 
Todo relacionamento pressupõe troca, 
um escambo de favores, de maneira 
que os dois polos se seduzam mutuamente, 
relegados às próprias surpresas". 
(p. 56)

Toda a construção da história leva o leitor a um cenário que perturba. O modo como Téo enxerga determinadas situações, encarando como se fosse algo visto todos os dias. São nesses momentos em que o leitor questiona sua própria sanidade.
A descrição dos locais também auxilia na composição da história na imaginação dos leitores. Lugares isolados e com personagens peculiares são perfeitos para assustar durante a leitura.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um excelente trabalho. A capa combina perfeitamente com a história.

"Não era o invasor, mas o invadido; 
não queria só desvendar, mas ser desvendado. 
Ele amava Clarice, admitiu. Precisava ser amado". 
(p. 30)

10 comentários:

  1. Ah não gostei não, achei muito confuso.
    Fiquei até com medo de no fim eu ser a que vai ter a sanidade mental questionada. Esse deixo passar.

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  2. Não sei se leria este romance agora; como a Ieda disse, me pareceu meio conturbado e confuso. Mais a estória em si, é interessante. Vou pensar. Quem sabe mais pra frente, eu me aventure nesta leitura. Beijos.

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  3. Concordo com vcs meninas, achei muito confuso e perturbador. Prefiro leituras mais leves, que me distraem e divertem e não questionam minha sanidade!!

    Beijinhos!!

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  4. Não achei tão confuso como as meninas acima comentaram não. Essa distorção da realidade me faz lembrar do livro A Menina Que Não Sabia Ler, quem leu saberá que a comparação é pertinente. Não teria problemas para ler esse livro.
    bj, dréa

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  5. Esse é um dos livros nacionais que mais tenho curiosidade de ler. Primeiro porque é exatamente o meu gênero de leitura, e também porque tenho lido muitos comentários positivos a respeito. Espero ler ele logo
    Bjss

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  6. Interessante, não conhecia o livro, vou procurar mais informações sobre ele.
    Bjs, Rose.

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  7. Nossa, esse livro parece ser demais, estou super curiosa para ler ele, ser envolvida pela historia, adorei a resenha, despertou a minha curiosidade.
    Beijos!!!

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  8. Não conhecia o livro, parece legal, mas não me deu uma vontade de ler, Não é aquela coisa de "Eu preciso desse livro" , só parece legal e se eu tiver a oportunidade de ler vou ler.
    Beijos

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  9. Não me empolguei com esse livro, talvez seja por passar por uma situação parecida(ter um cadeirante em casa) e saber o quando é desgastante!!

    Bjsssssssssssss

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  10. Oi adorei.. muito obrigado, amei a maneira que vc usou para descrever essa resenha...me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda
    www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

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