Resenha: A Caçada / Trilogia Hunt - Livro 01 Andrew Fukuda

Intrínseca, 2013, Ed. 1ª
Gene é diferente dos outros. Ele não tem a força e agilidade de seus colegas da escola, é imune à luz do sol e não sente uma sede insaciável por sangue. Gene é um 'heper', um dos últimos humanos do planeta, e vive disfarçado no meio das pessoas normais. Ele usa presas falsas, raspa todos os pelos do corpo, faz o possível para esconder seu cheiro e jamais abandona sua máscara. Sabe que não deve chamar a atenção em um mundo em que um pequeno deslize pode ser fatal. Mesmo vivendo sozinho há anos, Gene ainda escuta as palavras de advertência de seu pai - Não faça amigos; não pegue no sono durante a aula; não pigarreie; não gabarite as provas, embora sejam um insulto à sua inteligência. Não durma na casa de colegas; não cantarole nem assobie. E ainda; Nunca esqueça quem você é. Ele leva sua vida de acordo com essas regras, determinado a sobreviver. Mas a frágil segurança de Gene é ameaçada por uma terrível surpresa; a Caçada Eper.

A Caçada é um livro sobre vampiros e epers.. Vampiros são pessoas comuns, enquanto os Epers, ou humanos, são como animais e apenas servem para alimentação. Os Epers estão extintos e os vampiros a muito não podem saborear a deliciosa carne eper e o Soberano há dez anos promoveu uma Caçada Eper que aumentou a sua popularidade. 
Isso está prestes a acontecer novamente, foi anunciado na tv e todos estão eufóricos, os desejos dos vampiros não podem ser controlados quando estão frente a frente com um eper, o desejo por sangue e carne eper toma conta deles e os transforma em algo muito mais perigoso do que se possa imaginar, e eles são capazes de morrer por exposição ao sol para ter o prazer de ter sangue e carne eper ao menos um pouco! É como se ao sentir o cheiro de sangue eles enlouquecessem e não medisse as consequências de sair ao sol, que graças a Deus, pode matá-los!

O livro é muito bom e Andrew Fukuda conseguiu dar um novo tom aos livros sobre vampiros, pois temos uma sociedade comum, porém não de pessoas humanas e sim de vampiros e os humanos (epers) são vistos como uma iguaria quase extinta. A maneira como Fukuda apresenta os personagens, suas escolhas e consequências de seus atos mexeram comigo e me deixou louca de curiosidade para ler a continuação.

"Onze anos atrás, descobriram uma na minha escola. Uma menina
do jardim de infância, no primeiro dia de aula. Foi devorada quase
imediatamente. Onde ela estava com a cabeça? Talvez um acesso
de solidão repentina em casa a tenha feito acreditar - erroneamente - 
que na escola encontraria companhia. Quando a professora anunciou
a hora da soneca, a garotinha ficou sozinha no chão, agarrada ao ursinho
de pelúcia, enquanto as outras crianças pularam para o teto, de cabeça para
baixo. Aquele momento foi o fim para ela. O fim. Foi como se ela tivesse tirado
as presas falsas e simplesmente se prostrado para o inevitável banquete.
Os amiguinhos a fitaram com olhos arregalados lá de cima:Opa, o que temos aqui?
Ela começou a chorar, foi o que disseram, a berrar sem parar. A professora foi
a primeira a alcançá-la. 

Através do trecho acima vocês podem ter ideia de que o livro não é algo bobinho sobre vampiros e humanos como muitos autores criaram ao longo dos anos.. Os vampiros têm verdadeiros extintos vampiros e não podem ser expostos ao sol, pois morrem! Dormem pendurados no teto, e são "pessoas" sem expressão, sem emoção.. São frios e desprovidos de sentimentos simpáticos. A única coisa que os epers têm que pode ser usado contra eles é o sol e inteligência, capacidade de pensar para sair de situações inusitadas.

Os vampiros sequer possuem um nome, são chamados pela sua designação, que é o local onde se encontram. Porém o protagonista da história não é um vampiro, ele vive como um; todos os dias tem uma rotina cansativa de fingir não ter expressão, não sorri, não franze a testa, não pode se esforçar para não suar, raspa todos os pelos do corpo, mantém as unhas sempre lixadas no tamanho perfeito e igualadas na perfeição como a dos vampiros, se esfrega com afinco para não ter cheiro algum no seu corpo e assim tentar a cada dia passar despercebido pelos vampiros, seu pai lhe ensinou tudo isso, mas um belo dia ficou sozinho. Já não se lembra a muito de sua mãe e irmã, apenas de seu pai que foi aquele com quem conviveu mais tempo e lhe ensinou como sobreviver. Desde que seu pai também partiu, pois foi mordido, ele tornou-se solitário, tenta não chamar a atenção apesar de sua beleza e de sua inteligência nata, procura não se destacar na escola. Tem uma paixão platônica por Julia Brasa, ela é a garota que ele jamais poderá ter, já que é uma vampira e se ela soubesse o que ele é o devoraria em menos de 10min, sem pestanejar. Então sempre que Julia Brasa investe nele ele corre dela! 

Não gostaria de ser ele. No sorteio que ocorre ele é escolhido para integrar o grupo de Caçadores na Caçada Eper e Julia Brasa também. E agora o que ele fará? Pois como conduzirá seus dias sem ser descoberto? Ele é imediatamente encaminhado para o Instituto após o sorteio e com isso sequer pode levar água ou seus artigos para manter seu disfarce!
Será o fim para ele?

A Caçada mistura o sobrenatural com distopia e tem um "Q" de romance, a paixão proibida por Julia Brasa, nome que Gene, nosso protagonista dá a menina cujos cabelos são vermelhos e brilham como brasa.. Ele terá que driblar os vampiros para não ser pego e caçado junto com os epers criados em cativeiro. Em dado momento Gene, conhecerá os epers, pois precisará de água e verá que eles não são animais que não falam, ou pensam.. São como ele.. Educados, podem ler, cantar e etc. E após a aliança que forma com Julia Brasa, sabendo que os Epers não desconfiam de nada do que está por vir, isso o divide, em sua moral, se irá ou não usá-los para encobrir sua verdadeira natureza. E Gene terá uma grande surpresa em relação a Julia Brasa! 

Eu adorei cada linha lida e PRECISO DE MAIS!

6 comentários:

  1. Oi Karini, eu li apenas uma resenha deste livro, a sua é a segunda, e lembro que eu tinha achado estranho o fato dos vampiros não "sentirem" ou "saberem" que Gene era humano.
    Bjs, Roe

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    1. Rose, Gene se esfregava muito com um sabão especifico para não ter cheiro, e ele foi treinado para não emitir expressão qualquer, polindo presas, unhas e com um comportamento exatamente como o dos vampiros.. no início tb me fiz essa pergunta, mas o autor acaba explicando como tudo ocorre, nem sempre foi fácil e ele foi salvo, sem saber, por Julia Brasa. Ao ler o livro irá entender como ele conseguiu se camuflar por tanto tempo. Mas claro, isso torna-se impossível quando ele vai para o Instituto Eper e sabe que é apenas uma questão de tempo até ser descoberto.

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    2. Ah, então tem uma explicação para isso. Melhor, assim o enredo fica mais coerente. Obrigada! Bjs.

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  2. Achei a história bem interessante. Sempre fui apaixonada por temas sobre vampiros e este parece ser um dos melhores. Sua resenha me deixou encantada e ansiosa pra conhecer mais desses vampiros e os epers. Beijos.

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  3. Nossa quero muito ler esse livro!!! Adoro livros assim sobre temas sobrenaturais!!!
    Parabens pela resenha!!!

    Bjsssssssssssssss

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  4. Bom, bem diferente não é? Confesso que fiquei muito curiosa, a capa é bem legal e tudo o que disse me deixou curiosa, eu gosto muito de vampiros e tudo que muda a mitologia deles me interessa. Ótima resenha a sua, esclareceu tudo e ainda me deixou curiosa =)
    Parabéns pela resenha!!

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