Resenha: Desventuras em Série - Serraria Baixo - Astral #4

ISBN: 9788535902105
Livro: Serraria Baixo - Astral
Série: Desventuras em Série
Autor (a): Lemony Snicket
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Carlos Sussekind

Revisão: Renato Potenza & Maysa Monção
Ano: 2002
Edição: 1 - 12 reimpressões
Páginas: 176
Avaliação: 5


Na opinião de Lemony Snicket, "de todos os volumes que contam a vida infeliz dos órfãos Baudelaire, Serraria baixo-astral talvez seja o mais triste até agora". Alto-Astral é o nome da serraria que serve de cenário para as novas calamidades que Klaus, Violet e Sunny serão obrigados a viver. Trata-se de uma "ironia do destino", pois ali, no meio daquelas árvores derrubadas, daquelas enormes toras de madeira, o que as três crianças vão encontrar é mais uma coleção de coisas horripilantes, tais como uma gigantesca pinça mecânica, bifes do tipo sola de sapato, uma hipnotizadora e um homem com uma nuvem de fumaça no lugar da cabeça. A vida dos Baudelaire é mesmo muito diferente da vida da maioria das pessoas, "a diferença principal estando no grau de infelicidade, horror e desespero" Diante desse quadro, algum leitor desavisado pode desconfiar: "Como é que alguém vai se divertir com um livro desses, se as personagens não param de sofrer?!". A pergunta faz sentido, mas é justamente aí que descobrimos um dos melhores segredos de Lemony Snicket, pseudônimo do americano Daniel Handler. Ele leva o exagero às raias do absurdo, faz o realismo perder feio para o mais deslavado faz-de-conta e o resultado não poderia ser outro: um jogo literário incessantemente bem-humorado.
 

Eu ia fazer as resenhas de "Desventuras em Série" de dois em dois livros, como na resenha anterior, porém este volume precisa de uma postagem só dele, pois até agora foi a história mais aflitiva dos irmãos Baudelaire.


"Os órfãos Baudelaire olharam através da janela suja do trem
e contemplaram o negrume melancólico da Floresta Finita,
pensando se algum dia a vida deles melhoraria".
(pág.10)


Como nos conta Lemony, alugumas vezes podemos perceber o tipo de livro que temos em mãos, através da primeira frase que é lida no livro. Por exemplo, um livro que comece com "Era uma vez uma família de esquilos espertos que viviam dentro de uma árvore" provavelmente conta a história de um monte de animais falantes que se envolvem em toda sorte de travessuras. E um livro que comece com: "Os órfãos Baudelaire olharam através da janela suja do trem e contemplaram o negrume melancólico da Floresta Finita, pensando se algum dia a vida deles melhoraria" não contará histórias alegres ou divertidas e cheias de fantasias. Trará horror, infelicidade e desespero.

Então queridos leitores, se ainda esperam ler que algo melhorou na vida dos irmãos Baudelaire, não se decepcionem, pois os coitadinhos continuam a sofrer todo tipo de provação que alguém jamais imaginou.

Depois do sofrimento e horror vividos na casa da tia Josephine por conta do monstruoso Conde Olaf que se passou por Sham, eles são encaminhados para a Serraria Baixo - Astral na cidade de Paltryville, onde precisam trabalhar duro. Além disso iriam dormir em um cômodo sem janelas, com um cheiro horrível de mofo e com vários outros trabalhadores da Serraria. 
Alguns que ali estavam nem se importaram em olhar os órfãos, outros acharam o dono da Serraria, que foi quem os encaminhou para lá, uma pessoa terrível, por fazer três crianças trabalharem em um local onde nem mesmo os adultos deveriam trabalhar!
Após a primeira noite naqueles beliches duros foram acordados com um som estridente de panelas de ferro sendo batidas uma contra a outra por um capataz asqueroso, chamado Flaucutono e que usa uma máscara cirúrgica no rosto. Sem direito a café da manhã os órfãos iniciaram o "trabalho escravo" e adivinhem o que teriam para o almoço? "chicletes"! Vê se pode?

Os irmãos  foram levados ao escritório da Serraria e apresentados aos sócios. Charles (um dos sócios) era um jovem simpático e muito atencioso, porém ao serem apresentados ao sócio majoritário e para tristeza deles tutor dos órfãos, puderam perceber que se tratava de uma pessoa completamente contrária a Charles. O tutor era conhecido como "Senhor". O homem fuma o tempo todo e a fumaça é tanta que não puderam ver eu rosto. #nojo

Os dias vão seguindo e os irmãos sendo "escravizados", Klaus teve seus óculos quebrados e precisou ir ao oftalmologista. Essa consulta foi muito longa e após a chegada de Klaus a Serraria suas irmãs perceberam que ele estava distante, como se estivesse ausente de seu corpo! Depois de um acidente com uma máquina, Klaus volta ao normal, porém novamente têm seus óculos quebrados tendo que visitar o oftalmologista pela segunda vez, porém dessa vez suas irmãs o acompanham e ao chegarem percebem que a recepcionista na verdade é o Conde Olaf, disfarçado na pele de Shirley (vê se pode?) e é aí que tudo que parecia não ter como piorar, desanda de vez!



Pois é queridos leitores, os órfãos continuam em uma situação angustiante e sofrendo nas mãos do Conde Olaf que não se cansa de tentar por as mãos na herança dos jovens!
E dessa vez foi ainda pior, pois trabalharam feito "boi ladrão" e nem mesmo uma alimentação essencial para sobreviverem conseguiram.

*Triste e de dar pena!

E quando o sofrimento parace não ter fim eis que o Sr. Poe aparece para realizar a troca de tutor e dessa vez quando as crianças argumentam que a recepcionista é o Conde Olaf ele acredita e indaga a fulana, fazendo com que ela mostre o tornozelo e ao mostrar é mais uma vez constatado que se tratava realmente de Conde Olaf e o capataz asqueroso era seu capanga. Ambos fogem!  

Dá vontade de gritar alto: "Vade retro Satanás!"

Acho o Sr. Poe um lesado e acredito que ele de certa forma está ajudando Conde Olaf, pois o mesmo sempre sabe para onde os irmãos Baudelaire estão indo.
Até agora, achei essa a história mais triste que os irmãos viveram! Foi realmente de sentir pena! Eu sei que não posso esperar finais felizes ou histórias alegres, pois o autor avisou! Mesmo assim não pude deixar de sofrer junto deles e torcer por eles mais uma vez!

Enfim.. continuo gostando da série e tendo ela entre meus favoritos. A escrita de lemony me fascina e a forma como ele consegue inflingir mais dor e tristeza onde pensamos não caber mais tragédias.. é dolorosa e formidável!

Leiam!

Deixo vocês com a imagem dos pequenos órfãos:




Bem que se eu pudesse adotava os três e acabava com esse sofrimento! rs

Quem não leu as resenhas anteriores poderá ler aqui: Mau começo - Livro 1, A sala dos répteis - Livro 3 e O lago dos Sanguessugas.

2 comentários:

  1. Bom dia Karini, tudo bem?
    Nossa, eu já nem sei o que falar, já que eu adoro essa série e vou acabar me tornando repetitiva rs...
    Eu sinceramente acho impossível alguém ler e não se apaixonar por desventuras em série, são livros totalmente bem desenvolvidos.
    Parabéns pela resenha.
    Beijos

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  2. Pois é Carol, essa série é muito boa e estou mega contente por ter a oportunidade de ler! A cada livro que leio fico mais encantada!

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