Tagarelar do Mix: Entrevista - Jane Herman - Entre a Nobreza e o Crime

Entrevista  - Jane Herman



Oi mixmaniacos de plantão!! Tudo bem com vocês? Hoje tenho em primeira mão um super bate papo que fizemos com Jane Herman, a autora de Entre a nobreza e o crime publicado pela editora Lio.

Tenho que dizer que é uma honra conversar com essa mulher, porque achei o trabalho dela genial e já me tornei fanzoca. Entre a nobreza e o crime é simplesmente FANTÁSTICO!!! Quem ainda não comprou, digo seguramente que vale a pena o investimento.

1 - Como surgiu a ideia para escrever Entre a Nobreza e o Crime?

Jane Herman: A idéia para escrever não foi cumulativa, se moldando à minha mente, se achegando aos poucos, como constantemente acontece. A idéia aconteceu para mim de uma vez só, em um arroubo de inspiração, com a história completa surgindo na minha mente! Sempre gostei de histórias de máfia e de nobreza (inclusive meus estudos de História estão dentro da aristocracia, embora seja a aristocracia ibérica), então acho que fiz um mix das duas coisas

2 - As suas leituras te chamam de “chefa”. E pelo que entendi você possui um grupo de amigas que te ajudaram na revisão. Como isso funciona? Normalmente as autoras possuem uma beta para os ajustes nos textos.

Jane Herman: A “chefa” apareceu como brincadeira, não como algo imposto, pois sou dona de uma comunidade no Orkut e Facebook chamada Bordel da Jane! É uma longa história. E não, não tenho um grupo de amigas que me ajude com revisão. As chamadas “gerentes” do Bordel da Jane gerenciam a vida virtual da Jane Herman, já que a pessoa por trás dela é alguém absolutamente sem tempo, mas tive revisora pela primeira vez apenas na hora de publicar o livro. Nunca tive betas! Não por prepotência, mas porque sempre terminei meus textos em cima da hora.

3 - Irene é uma mulher intrigante e em minha leitura vi várias facetas de sua personalidade. Ao mesmo tempo em que é altiva, petulante, arrogante e prepotente, existe, bem lá no fundo, algo de bom e um pouco de compaixão. Pode falar um pouco sobre ela e sua personalidade?

Jane Herman: Irene é uma pessoa de personalidade. É uma nobre, alguém que nasceu em uma família importante, alguém que já nasceu com um lugar no mundo. Tem também um destino “traçado”, ao menos no início do livro. Ela é arrogante, sim, mas quem não seria na situação dela? Ela sempre teve de tudo, ela cresceu vendo seu pai atuando, cresceu admirando-o. Sabe manipular. A Irene gera resistência em alguns leitores, porque não é uma mocinha convencional... ela não possui aquela bondade inerente à toda mocinha, a ingenuidade, ela conhece muito bem o “seu” mundo e o papel que ela exerce dentro dele. Porém, não é maldosa sem motivos. Seus acessos de bondade são sinceros e completos, além de possuir um grande senso de responsabilidade sobre algumas pessoas, como o Heinrich e o Viktor.

4 - O que mais me intrigava no inicio da leitura era a obsessão que Irene nitria pelo irmão. Depois veio a revelação, que me fez pensar sobre a relação deles. Fica claro que ela se sente culpada pela morte dele e foi complacente com todos os seus atos, em vida, devido a culpa. Você já tinha planejado esse tipo de relacionamento quando concebeu a ideia original da história?

Jane Herman: Sim, tudo já havia sido traçado. A história aconteceu de uma vez para mim! Apenas o que não sabia é que teria de destrinchá-la em dois livros.

5 - Os sentimentos de Irene por Viktor começam a se assemelhar com os que sentia pelo irmão. Ela é complacente, aceitando tudo o que ele faz, sua crueldade e a relação de submissão. Ficou claro, em alguns momentos, que nem tudo o que ela permitiu que ele fizesse, a si e aos outros, foi por amor. Viktor foi apenas uma substituição do irmão ou realmente as atitudes de Irene são por amor?

Jane Herman: Eu acho que, para compreender a relação de Irene e Viktor, é necessário antes entender a dinâmica dos Hargensen, a dinâmica que norteia a aristocracia. Mesmo que Irene seja um “brinquedinho político”, como diz Viktor, ela ainda é uma mulher de sua estirpe. Mulheres como as nobres aceitam o que os “seus homens” fazem, mesmo que mulheres como Irene dêem um jeitinho de pegá-los na curva... (risos). E não acho que Irene seja submissa, apesar de tudo. Ela pode chamar Viktor de “senhor Morgan”, ser completamente polida, mas no final das contas, ele age exatamente da forma como ela o manipulou, como quando ela o ‘convenceu’ a retirar o apoio da Máfia à candidatura do pai.

6 - O pai de Irene, Bernad, foi um homem muito rígido durante toda a vida. Ele nunca tratou os filhos com amor. Mas fica implícito durante a leitura que ele fez algo muito cruel e o que aconteceu entre ela e o irmão tem relação direta com isso. Pode falar sobre isso? Teremos mais revelações, desvendando segredos de família, no próximo livro?

Jane Herman: O Bernard é um homem de seu meio, um político hábil, que criou seus filhos para serem pessoas de seu meio também. Ele é uma pessoa que também tem pecados a expiar. Eu costumo a dizer que, se a Primeira Temporada chegou para complicar, a Segunda chegará para descomplicar!

7 - Daria é uma esposa amável, submissa, bem tranquila que aceita tudo o que Viktor faz. Em determinados momentos senti ódio dele e de Irene por conta das humilhações que a fizeram passar, mesmo Irene “tentando” de certa forma manter o respeito pela esposa do amante. O que podemos esperar dela no próximo livro? Ficou bem claro no final que o seu pai não matou Viktor por seus pedidos. Mas será que ela se rebelará, mostrando a fúria de uma mulher traída e humilhada? Acredito que isso possa acontecer se Irene engravidar, coisa que ela não conseguiu em quase dez anos.

Jane Herman: A Daria é uma personagem que eu gosto demais da conta. Ela é completamente submissa primeiro ao pai, depois ao marido, o que costuma a enervar as leitoras. Mas acho que ela possui uma “pureza”, apesar de ser uma mulher da máfia, que ninguém mais no livro possui. Eu acho que há vários modos para ela se rebelar, sem que perca a leveza! Espero que aconteça isso! (risos).

8 - Irene partiu para uma longa viagem com Viktor. Essa viagem promete ser perigosa demais e também romântica. Ele já deixou claro a intenção de ser pai. A pergunta que não quer calar: Irene vai ceder as ordens de Viktor e engravidar? Para quem leu o livro fica claro que ela não tem afinidade com crianças, mas faz tudo o que ele manda.

Jane Herman: Mais uma vez, não vejo Irene como uma submissa! O que adianto é que a viagem será importante para os rumos da história, não somente para o relacionamento de Irene e Viktor.

9 - Irene e Viktor possuem uma relação de submissão. Por mais altiva e petulante, ela acaba cedendo a todas as ordens, de uma forma ou de outra. Fica claro para o leitor que existem sentimentos profundos que ligam esses dois. Mas até o momento ninguém baixou a guarda e disse a “palavrinha mágica”. Vai demorar muito para acontecer? Quando deixarão essa formalidade e dirão finalmente “eu te amo”? Eles vão chegar ao altar?

Jane Herman: Ela não está acostumada a lidar com sentimentos, a não ser para tirar alguma vantagem deles... ele, por outro lado, conhece sentimentos, cresceu em uma família amorosa, apesar de mafioso, mas é orgulhoso demais para dizer “eu te amo” e escutar apenas o eco da própria voz! São cenas dos próximos capítulos, ou melhor, do próximo livro!

10 - Viktor é uma das personagens mais fortes e conflitantes. Ao mesmo tempo em que o leitor o ama, também o odeia por suas atitudes. Ele é um mafioso, adultero, assassino, traficante, cafetão e tudo de ruim que um bandido possa ser. Porém é também honrado e uma coisa que Viktor se gaba em dizer, é que tem a consciência limpa de nunca ter matado um inocente. Em sua intimidade é um amante bem generoso e apaixonado. Mas quando está possuído pela fúria dá medo. Isso deixa o leitor dividido entre o amor e o ódio. Como foi criar esse personagem tão complexo? Por que as várias facetas de Viktor causam uma inconstância de sentimentos no leitor. Ao mesmo tempo em que é o herói, também se torna o anti-herói. Fale-nos um pouco sobre isso.

Jane Herman: O que precisamos entender é que a lógica de bem ou mal de Viktor é muito relativa. Ele afirma que em suas mãos não há sangue inocente, mas afinal, o que significa inocência para ele? É o mesmo que para nós? Enfim, precisamos a partir daí compreender o porquê ainda continuamos a torcer por ele, mesmo que entendamos que ele é o lado negro da força. A única explicação que encontro para isso é a completa sinceridade dele. Viktor pode ser cruel, rude, mas ele é um bom irmão, um bom filho, ele é bom para Irene, na maior parte do tempo. Mesmo quando ele é ruim com as pessoas amadas, ele não é propositalmente ruim. Viktor é um sentimental, age com explosão de temperamento, pede um filho para Irene sem medir as conseqüências! Por isso o leitor constantemente o perdoa.

11- Viktor x Irene? Algumas pessoas dizem que cada um tem a tampa da panela que merece. Viktor é perfeito para o temperamento altivo, petulante, arrogante e atrevido de Irene. Os dois batem de frente diversas vezes e ela consegue tirá-lo do sério. Em contra partida, ele é o único capaz de “domá-la”. Um casal simplesmente perfeito, levando-se em consideração as personalidades de ambos. Como foi criar essa relação? Eu me diverti muito com as respostas atrevidas de Irene e a fúria de Viktor em algumas passagens.

Jane Herman: Eu também me divirto muito escrevendo para “Virene”. Acho que a relação de opostos é interessante. Viktor tem aquele calor, aquela paixão, aquela ousadia, já Irene é mais racional, é comedida, é dona de um sarcasmo negro. Eles não conseguiriam parceiros mais à altura!

12 - Para mim ficou claro que eles terão muitos desafios a enfrentar na volta da viagem. Vejo o sogro mafioso, Daria, a máfia italiana, a Scotland Yard e o próprio pai de Irene como potenciais fontes de perigo para o casal. O que podemos esperar da continuação desse livro?

Jane Herman: Teremos todos estes perigos presentes no próximo livro. Mas tão importante quanto isso serão as adaptações que o casal terá de fazer na própria ordem – ou falta de ordem! – que eles vivem. Conflitos serão gerados e o sentimento do casal será posto a prova. Diante de tantas provações, segredos constrangedores sendo descobertos, existirá amor em tamanha paixão?

13 - Já tem previsão de quando será lançado o livro dois?

Jane Herman: Em 2013. Agora é oficial!

14 - Entre a nobreza e o Crime foi seu primeiro trabalho? Quando e como começou a escrever?

Jane Herman: Meu primeiro trabalho para um público, sim. Mas sempre escrevi para mim mesmo. Até hoje não sei se sinto prazer escrevendo. Que é uma necessidade, é certo.

15 - Agora fale um pouco sobre Jane Heman, sua vida, seus gostos, filmes preferidos, autores, peças teatrais... O Mix e seus leitores querem saber sobre essa mulher maravilhosa que foi capaz de criar uma história ímpar e tão palpável.

Jane Herman: Assim eu fico “me sentindo”! Sou uma mulher de 24 anos recém-completos, sou arquivista, sou alguém que batalha para terminar a 2ª faculdade, se a greve dos professores permitir! Gosto de literatura densa e que me faça pensar; eu livro favorito é Os Irmãos Karamazov, do Fiodor Dostoievski, acho que tenho uma espécie de fanatismo com literatura russa... além de Dostoievski, sou fã de Gogol, Gorki e muito mesmo de Tolstoi! Mas isto não significa que eu dispense Agatha Christie e Sidney Sheldon! Gosto do obscurantismo a la Álvares de Azevedo e Edgar Allan Poe também. Costumo dizer que leio de tudo, pois não tenho pré-conceitos com literatura. Quem for a minha página do Skoob verá que gosto muito de clássicos, mas que também leio romances de banca, se a história me interessar. Gosto de romances românticos, mas com bons enredos... algo como A Infiltrada, da Natália Marques, ou Desculpa se Te Chamo de Amor, do Federico Moccia, estão de ótimo tamanho!

Ando com problemas para ver televisão, por isso é meio difícil falar de filmes, mas o último filme que fui ver no cinema foi Sombras da Noite, do Tim Burton. Amei de paixão! Adoro a mescla que ele faz do gênero terror com a comédia. A peça de teatro que mais gostei foi uma leitura de Dona Flor e Seus Dois Maridos, com a Carol Castro e o Marcelo Faria. Talvez por eu amar o livro!

16 - Tem algum outro projeto além da continuação desse livro?

Jane Herman: Tenho projetos, mas ainda estão no campo da imaginação. Já tentei iniciar uma nova história, o problema é que mal tenho tempo para continuar escrevendo a continuação de Entre a Nobreza e o Crime, como posso encabeçar outra pequena loucura?

17 - Como se sente com a aceitação do público em relação ao seu bebê?

Jane Herman: Insegura. Porque penso “e se não gostarem? Oh céus, oh vida!”. E ciumenta. Porque morro de ciúmes de soltar meus filhinhos no mundo!

18 - Fale um pouco sobre o processo de publicação do livro. Foi difícil achar uma editora para publicá-lo?

Jane Herman: Incrível, mas não tenho muito a testemunhar neste sentido. Não houve uma peregrinação por busca de editoras! Eu lancei minha história na internet e deixei lá, sem ambições ou expectativas, apenas pedindo comentários ao fim de cada capítulo. Quando a editora fez o contato avisando que gostaria de publicar, foi tanta surpresa, que demorei semanas para acreditar!

19 - Tem alguma mensagem para as leitoras apaixonadas que estão morrendo pela continuação do seu livro?

Jane Herman: Lógico que sim! Gostaria de agradecer o apoio e dizer que, se não fossem as leitoras, a Jane Herman, a autora de Entre a Nobreza e o Crime, nada seria! Eu estava fazendo um bolo simples e vocês me trouxeram o fermento. Obrigada!

Jane, o Mix literário agradece pela honra de publicar essa entrevista. Afirmo, mais uma vez, que seu livro é SIMPLESMENTE FANTÁSTICO e que foi a primeira vez que favoritei uma história antes de chegar à metade dela. Parabéns por esse brilhante trabalho.

Jane Herman: Obrigada a você, Glaucia!

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Espero que tenham gostado!!! Em breve teremos a resenha do livro aqui e em Agosto uma super Promo.

bjs no core 
Glau

9 comentários:

  1. Boa tarde Gláucia, tudo bem?
    Nossa fiquei super feliz com essa entrevista. Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas ele tem sido tão bem falado, que fiquei muito feliz ao conhecer um pouco mais a mente por trás da história rs.
    Adorei saber que a história surgiu de uma vez para a autora (devo dizer que gostaria de ter insights tão complexos, fiquei com invejinha). O livro já se encontra na minha prateleira de desejados...
    Amei o post!
    Beijos

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  2. Como não amar Entre a Nobreza e o Crime! Arrasou na entrevista Jane!

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  3. Entre a Nobreza e o Crime é realmente incrivel!
    Já li e super recomendo.
    É impossivel não se apaixonar pelo mafioso Viktor Morgan ou "amar" o humor sarcástico da milady Irene Hargensen.

    Com toda certeza merece uma continuação!

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  4. Oi, Glaucia.

    Gostei muito de saber mais a respeito da autora e da obra em si.

    Só estou esperando o meu chegar para conhecer de pertinho esse livro que está dando o que falar no meu círculo de amigos. rs.

    Fico muito feliz por termos uma história adulta, já que estamos cansados de tanta mesmice.

    Beijos.

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  5. Esse livro é Perfeito,Viciante quem le não consegue mais parar...

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  6. Jane Herman e Entre a Nobreza e o Crime são realmente fantásticos! Adorei a entrevista, com perguntas e respostas super bem articuladas! E fiquei mais feliz ainda ao saber que a publicação do segundo livro será no próximo ano!

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  7. Parabéns, Jane! Diante da obra que escreveu não esperava outra coisa além de respostas inteligentes, humor peculiar e grande honestidade. Sucesso!

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  8. Olá, garotas!


    Muito obrigada pelo convite para a entrevista. Sempre tão gentis! Foi um prazer! Beijos...

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