Resenha: Festa no Covil - Juan Pablo Vilalobos


Sinopse:

O romance de estreia de Juan Pablo Villalobos é surpreendente em muitos sentidos. Breve e incisivo ao revelar a face mais violenta da realidade (não apenas) mexicana sob uma ótica insólita, entra no cânone da narcoliteratura sem ceder aos tiques próprios do subgênero. Em 'Festa no Covil', a vida íntima de um poderoso chefe do narcotráfico , Yolcault, ou "El Rey" é narrada pelo filho. Garoto de idade indefinida, curioso e inteligente, o pequeno herói, que vive trancado num "palácio" sem saber a verdade sobre o pai, reconta sem filtros morais o que presencia ou conhece pela boca dos empregados ou pela tevê. Seu passatempo é investigar secretamente os mistérios que entrevê, colecionar chapéus e palavras difíceis e pesquisar sobre samurais, reis da França e animais em extinção, sempre com o auxílio de seu preceptor, um escritor fracassado egresso da esquerda.

ISBN: 9788535920260
Livro: Festa no covil
Autor(a): Juan Pablo Vilalobos
Editora: Cia das Letras
Edição: 1
Ano: 2012
Páginas: 96
Avaliação: 4


Este livro possui poucas páginas, mas as poucas que possui passam tantas informações; a maneira como as questões de tráfico, morte, armas, lealdade, traição e todo o restante que vem com isso, são incrivelmente abordados pelos olhos de uma criança!

Tochtli é um menino criado isolado de tudo e todos no mundo; criado para ser o herdeiro do narcotráfico mexicano! Um menino sem mãe e que conhece poucas pessoas; um menino que não sabe o que é brincar com outros meninos.. um menino que acha natural,  pessoas morrerem assassinadas a tiros ou terem suas cabeças arrancadas de seus pescoços! Um menino cujo pai, Yolcault, não aceita ser chamado de pai; um homem frio e que mostra ao seu filho o mais perverso mundo do narcotráfico, mesmo algumas vezes tentando preservá-lo sem sucesso, pois Tolchtli é um menino muito sagaz e percebe tudo a sua volta mesmo com seus olhos de criança e com a pouca inocência que ainda lhe resta!

O livro não é o que estou acostumada a ler, porém é muito revelador e me fez refletir como somos espelhos daquilo que vivemos; Tolchtli, já demonstra bem o que irá se tornar e improvavel não ser exatamente espelho do meio que vive, pois já é familiarizado com armas, mortes e todo o resto. Percebemos em sua narrativa o tripúdio ao relatar os fatos ocorridos, intercalando com suas fantasias de garoto! Porém mesmo assim a familiaridade com a situação acaba fazendo com que aquilo torne-se normal!

O livro é ótimo e como mãe, me faz refletir e olhar com olhos mais atentos o dia a dia dos meus filhos! E priorizar cada dia mais o bem estar deles principalmente através de bons exemplos que ajudam a formar o caráter deles!
Afinal, somos frutos do meio em que vivemos! Salvo algumas raras exceções!

Adorei as cores da capa do livro e o papel polén é o meu preferido. A revisão do livro foi ótima, uma coisa rara de se acontecer, por este motivo parabenizo ao revisor e a Editora! \o/



10 comentários:

  1. Carolina Durães02 junho, 2012

    Bom dia!!! Nossa, eu estava lendo a sinopse e arregalando os olhos rsrs.. Parece ser um livro com temática forte, né? Mas ao mesmo tempo, parece ter certa sensibilidade. Achei o livro interessante, fiquei feliz pela revisão, porque realmente é algo raro... Tenha um ótimo final de semana. Beijos

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  2. Carolina Durães02 junho, 2012

    Ps: Karini, cadê o sorteio? rsrs.. Não vi...

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  3. Tem gente que ainda discorda de que as pessoas são produtos do meio em que vivem. É claro que toda regra tem sua exceção...mas na grande maioria não. É perfeitamente compreensível ver um menino que nasceu e viveu no meio do crime...virar um criminoso...ainda mais sem ter outras pessoas que mostrem o outro lado para ele. Ele cresce aprendendo isso...e é tudo que sabe fazer.

    Achei muito interessante a abordagem do livro...e assim como vc é algo bem diferente do que tenho lido. Gostaria de ter a oportunidade de lê-lo tb.

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  4. Acho o tema do livro muito interessante, mas confesso que tenho minhas dúvidas se conseguiria ler, principalmente por ser a realidade de tantas crianças. Ao mesmo tempo que é extremamente necessário refletir sobre isso, acho que hoje, eu não conseguiria aguentar a ideia de enquanto parte da sociedade ser responsável por isso também.
    E antes que eu comece a viajar demais é melhor eu me despedir.
    Beijos.

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  5. Então Sane, o livro é muito rápido. São poucas páginas e a leitura flui bem fácil. Realmente como você diz é uma realidade de muitas crianças e a culpa disso muitas vezes está sim na sociedade em que vivemos. Mas garanto a forma como o tema foi abordado, não chega a chocar, pois como foi abordado pelo ponto de vista de uma criança as coisas ficaram mais leves, mas não menos impactante!

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  6. Pois é Vanessa, toda regra tem sua exceção sim. Mas realmente alguém que vive isso desde sempre é muito dificil seguir outro rumo que não seja de drogas, crime, tráfico.
    O que vemos na tv não é ficção e não é culpa das crianças e adolescentes.. sabe quando passa aqueles meninos brincando de tiro, com armas inventadas por eles.. ou cantando e dançando aqueles funks horrendos?
    Nossa! Essas coisas me deprimem! Saber que um país com tamanho potencial como o nosso, se preocupe mais com Copa, Olímpiadas e etc.. ok! Isso gera empregos, renda.. mas a renda nunca é empregada como deveria: Educação, Saúde .. coisas que estão sempre beirando a carência no nosso país!

    Vai depender de escolas públicas.. vai depender de saúde pública. Poderia ser melhor, mas para isso falta muito chão a ser percorrido!
    O professor ganha um salário miseravel e tem de lidar todos os dias com situações inusitadas e algumas até de risco!

    Na saúde pública.. nossa, falta tudo! Muitas pessoas morrem nas filas de espera, antes mesmo de serem atendidas!

    Vou parar por aqui tb.. esse livro me fez refletir coisas, que algumas vezes fingimos não ver, pois uma única pessoa infelizmente não pode mudar a realidade! Mas sim.. todos nós estamos precisando de leituras impactantes para repensarmos até mesmo nossas ações como ser humano e o papel que exercemos na sociedade!

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  7. Eu li esse livro no mês passado e gostei muito dele.
    O livro tem uma leitura bem rápida, o que me agradou ainda mais!
    Um beijo

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  8. Festa no Covil parece ser daquelas estórias bem complexas e cheias de mensagens ocultas por palavras mais maleáveis.
    É interessante o trabalho dos blogs literários, pois se não fosse pelo Mix eu nem saberia da existência desse livro e de seu autor.
    Obrigada por compartilhar conosco temas variados, autores diversos e histórias incríveis.

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  9. Tema forte esse!
    Não sei se é o tipo de livro para diversão. Acho que o livro é para refletir!
    Vou procurar o livro nas livrarias!

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  10. Livro forte heim?
    Parece ser daqueles que te chocam sem que você perceba!

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